Construção das bases do ILS começará em janeiro

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O presidente da Câmara de Vereadores de Joinville, vereador Odir Nunes, esteve nesta tarde – acompanhado do prefeito Carlito Merss e do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Thomazi – no Aeroporto Lauro Carneiro de Loyola, onde encontrou-se com a alta direção da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), para mais uma rodada de entendimento sobre as pendências existentes para a instalação do Instrument Landing System (ILS), equipamento de aeronavegação, que transmite sinais de rádio que proveem aproximações de precisão para aeronaves em procedimento de pouso.

O diretor-geral de operações da estatal federal, João Márcio Jordão, voltou a assegurar os prazos já anunciados em Brasília, ao longo de outras reuniões sobre o assunto. As obras de engenharia para a construção das bases onde serão assentados o localizador (parte do ILS que dá o alinhamento da aeronave com a pista) e o glideslope (parte do ILS que coloca a aeronave em uma rampa ideal de descida para o pouso) devem começar em janeiro de 2012, estendendo-se por cerca de 240 dias. O equipamento seria adquirido pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) – órgão vinculado ao Comando da Aeronáutica e ao Ministério da Defesa – e instalado a partir de agosto de 2012. A homologação ocorreria em até três meses, permitindo estimar o início das operações do ILS para dezembro de 2012.

Na tentativa de reduzir em até 90 a 120 dias estes prazos, vontade expressada por Carlito Merss e Odir Nunes no encontro, o processo será conduzido pela Superintendência Sul da Infraero, com sede em Porto Alegre (RS). Seu superintendente, Carlos Alberto Souza e Silva, comprometeu-se a repassar para o secretário Rodrigo Thomazi documentos utilizados na desapropriação de imóveis próximos ao Aeroporto Internacional Salgado Filho, na capital gaúcha, que está para ser ampliado, para que sirvam de base para o caso joinvilense.

Segundo João Márcio Jordão, o município de Joinville também precisará se apressar para cumprir sua parte. O termo de cooperação já firmado com a Infraero precisa ser transformado, urgentemente, em convênio, para que os processos de repasses financeiros possam ser iniciados entre a estatal e o município. Essa modificação se dá por projeto de lei a ser remetido pelo prefeito à Câmara de Vereadores. Além disso, o município precisará concluir a catalogação dos imóveis que serão desapropriados na região do Jardim Paraíso, atualizar o decreto que trata do assunto e remeter todos os documentos para a Infraero.

Os diretores da estatal querem começar as obras do ILS antes que vença o prazo da licença ambiental para modificação do curso do Rio Cubatão, um dos entraves para a ampliação de todo o sítio aeroportuário de Joinville. Segundo afirmaram no encontro, se o documento vencer, todo o cronograma terá de ser revisto, pois dependerá de novo licenciamento.

Como será o equipamento que virá para Joinville e quais seus benefícios

O ILS a ser instalado no aeroporto de Joinville, segundo seu superintendente Rones Rubens Heidemann, será Categoria 1, em leigas palavras: o de menor “potência”. Em um ILS de Categoria 3C, em leigas palavras: “o mais potente”, os limites de visibilidade são zerados, ou seja, o avião pode se aproximar e pousar em modo automático sem que haja um palmo sequer à frente de visibilidade. No Brasil, não existem aeroportos com este tipo de ILS.

Em relação aos procedimentos atuais, em que a aproximação por instrumentos mais utilizada no aeroporto de Joinville é feita com base em coordenadas geográficas (Sistemas Globais de Navegação por Satélite – GNSS), o ILS Categoria 1 não representará a solução para os cancelamentos de voos, especialmente nos meses de inverno, quando as neblinas costumam ser mais intensas. Haverá apenas uma melhoria dos limites mínimos de aproximação de uma aeronave em modo automático.

Em outras palavras, com o equipamento, o limite vertical mínimo (teto) de descida em modo automático da aeronave passará dos atuais 114 metros de altitude para 60 metros de altitude; e a visibilidade horizontal mínina a partir da qual o piloto tem que ver a pista para poder pousar será reduzida dos atuais 1.600 metros para 800 metros. Se as neblinas ou outras condições meteorológicas adversas estiverem mais severas que estes mínimos, e o piloto não vir a pista até atingi-los; compulsoriamente, ele tem que arremeter a aeronave e voar para um aeroporto alternativo em melhores condições.

Veja na prática um ILS CAT-3C

No vídeo abaixo, você assiste à aproximação e ao pouso de um Airbus A320, em uma pista com ILS Categoria 3C. Perceba que só há visibilidade da pista quando a aeronave cruza os 50 pés de altitude (teto), cerca de 15 metros, já sobre a pista, ou seja, com visibilidade horizontal praticamente nula. Aos 29 segundos do vídeo, é possível ver e ouvir o alarme que informa que o piloto automático foi desligado, indicando que até aquele momento piloto e copiloto, em “leigas palavras”, estavam apenas assistindo ao avião “fazer tudo”.

Mais uma aproximação e pouso, desta vez no aeroporto Charles De Gaulle, em um ILS Categoria 3C, com o piloto automático ligado até o solo.

 

Agora, veja na prática um ILS CAT-1

Agora, preste atenção ao vídeo abaixo. É a aproximação e o pouso de um E-jet da Embraer no aeroporto de Curitiba, que tem ILS Categoria 1, a mesma que será instalada em Joinville. Perceba que as condições meteorológicas, como nos vídeos acima, são igualmente ruins. Só que como este ILS é “menos potente”, os mínimos de aproximação com o piloto automático acionado são maiores, ou seja, aproxima-se menos da pista em modo automático.

Aos 2min34s, os sistemas do avião alertam: “approaching minimuns” (aproximando-se dos limites mínimos de descida). Logo em seguida, avista-se a pista e ouve-se: “autopilot” (alerta que indica neste Embraer que o piloto automático foi desligado). A partir dali, o copiloto levou o avião manualmente para o pouso. Mas perceba quanto ainda faltava para o pouso em relação aos vídeos acima. Isso é o ILS Categoria 1. E se as nuvens estivessem ainda mais baixas, impedindo a visão da pista, a arremetida seria obrigatória. Isso explica porque tal equipamento ajudará, mas não resolverá todos os problemas do aeroporto de Joinville.