O debate sobre alterações de trânsito no bairro Bom Retiro promovido pela audiência pública realizada pela Comissão de Urbanismo na última segunda-feira (31 de março) foi marcada por manifestações que se dividiam entre indignação com as seguidas mudanças, reconhecimento de que houve maior fluidez no trânsito, irritação com longos e demorados caminhos a serem percorridos, preocupações com a segurança de pedestres e ciclistas e também variadas sugestões dos munícipes presentes.
Reuniram-se mais de 200 pessoas na Escola Municipal Plácido Olímpio de Oliveira, ao final da rua Dom Bosco, uma das mais citadas durante os debates. A rua se tornou o principal caminho para ida até a Tenente Antônio João com as mudanças no trânsito feitas após o primeiro trecho da duplicação da Santos Dumont (entre a Paróquia Santo Antônio e a rua Dom Bosco). Os vereadores ouviram comerciantes, moradores e representantes das secretarias municipais de Planejamento Urbano (Sepur) e de Proteção Civil (Seprot), esta última que engloba também a responsabilidade pelo Departamento de Trânsito (Detrans).
Da parte da Prefeitura, a principal informação nova é a de que ainda neste trimestre será lançada a licitação para a duplicação do trecho final da avenida Santos Dumont (entre a rua Dom Bosco e a rotatória que leva para Univille e Distrito Industrial). O diretor executivo da Secretaria de Pesquisa e Planejamento Urbano (Sepur), Paulo Henrique Klein, sinalizou a possibilidade de a obra ter início no segundo semestre, entre junho e julho, se tudo der certo.
A audiência pública foi presidida pelo vereador Lucas Souza (Republicanos), que é o presidente da Comissão de Urbanismo, e também participam os integrantes do colegiado Adilson Girardi (MDB), Vanessa Falk (Novo), Wilian Tonezi (PL) e Liliane da Frada (Podemos). Além deles, também acompanharam a audiência os vereadores Érico Vinicius (Novo) e Pastor Ascendino Batista (PSD).
Como pode ser difícil visualizar as diversas sugestões dos moradores, vamos agrupar por locais. A audiência, no entanto, foi encerrada ao final de duas horas, sem que os representantes das secretarias pudessem fazer considerações sobre as sugestões dos moradores. Foram 30 munícipes se manifestando na audiência.
Rua Rezende
Uma das principais reclamações veio de um grupo de moradores da rua Rezende. A primeira deles a falar foi Walquiria Aparecida de Lima Watanabe. Ela trouxe um resumo das queixas sobre os transtornos aos moradores da via, diretamente afetada pela implantação da rotatória quadra. “Barulho de motor constante”, destacou, “sendo difícil até conversar ou assistir uma tevê”. Ela ainda pediu por uma campanha de educação de trânsito porque os motoristas não respeitam a velocidade máxima de 40 km/h. Ainda assim, Walquiria reconheceu que as mudanças trouxeram melhoria no tempo de deslocamento. Mas ressaltou: “Eu não comprei esse terreno pensando que seria uma avenida”. Relatou também que a residência dela, com três pavimentos, estremece.
Outro morador da via, Celito Kuntz, questionou porque a rua não pode ser mão-dupla. Por outro lado, Adalberto Pupp, morador da rua Rezende há quatro anos, sugeriu a colocação de uma faixa elevada na via e pediu o desvio do tráfego de caminhões da rua. Ele também reconheceu melhoria na fluidez do trânsito. Uma moradora da rua Armando Salles, que também foi diretamente afetada pela implantação da rotatória quadra, reforçou o pedido por uma faixa elevada.
Rua Nova Trento
Os moradores da rua Nova Trento, ou usuários de serviços, como as escolas presentes na via, não têm a mesma percepção quanto a uma redução do tempo de tráfego. Bruno Souza relatou que trabalha home office e que, para ir e buscar seu filho, levava 13 minutos antes das mudanças. Agora leva 40 minutos, afirmou. Bruno entende que a mudança de mão da rua foi desnecessária.
Rua General Câmara
Bruno acrescentou ainda comentários sobre as alterações de trânsito na rua General Câmara. Ele comenta que ainda há pessoas que não entenderam que um pequeno trecho da General Câmara está em mão dupla, enquanto a maioria da rua está em sentido único, e que isso leva a risco de acidentes. O ideal, para ele, seria mão-dupla na General Câmara como um todo.
Os riscos para a segurança também foram mencionados pelo empresário Otanir Mattiola. Ele comentou que são diários os acidentes ou quase acidentes que testemunha do balcão de sua loja. Ele atribui o problema às pinturas e repinturas de faixas, que dificultam o entendimento da sinalização. Mattiola ainda sugeriu uma rotatória no encontro das ruas General Câmara e Tenente Antônio João.
Rotatória da Santos Dumont com a Dom Bosco
Osmar Luiz Cattoni reclamou da rotatória, afirmando ela confunde os motoristas, especialmente na hora de decidir em qual faixa entrar. A moradora Ester reclamou que a implantação da rotatória, feita perto do natal, não contou com acompanhamento policial. Formulando um trocadilho, ela chamou de “paratória”.
Acompanhamento de agentes de trânsito
Judson Reinert, que já exerceu funções públicas na antiga Companhia de Desenvolvimento e Urbanização de Joinville (a antiga Conurb), sugeriu às autoridades presentes que intensifiquem as ações dos agentes de trânsito no local.
O estudante Moisés João Ferreira reclamou das dificuldades de trafegar na ciclofaixa da rua Dom Bosco. Ele relatou que motociclistas entram constantemente na ciclofaixa vizinha à escola, onde ocorreu a audiência, impedindo a circulação de ciclistas na área. Moisés reclamou da falta de fiscalização dessa situação.
Confira como foi a reunião: