Moradores, agricultores e trabalhadores que transitam pela estrada Blumenau, na zona rural de Joinville, devem esperar mais 15 dias para a entrega da reforma da ponte Alfonso Altrak, popularmente conhecida como ponte coberta. Há um mês, a ponte de madeira precisou ser interditada após a queda de uma das 12 vigas que sustentam a estrutura.

A informação foi dada na reunião da Comissão de Economia desta segunda-feira (24) pelo diretor executivo da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra), Paulo Mendes Castro, que também abordou a substituição da ponte por uma nova estrutura, desta vez de concreto. Conforme Castro, essa nova ponte deve ficar pronta em até 12 meses, desde que seja efetivado um convênio para que a Prefeitura receba R$ 6 milhões do governo estadual para a obra.

A transferência ainda está em negociação e, por esse motivo, Castro aproveitou a oportunidade para pedir aos vereadores para que cobrem do governo estadual a realização do convênio. Além da garantia do dinheiro para a execução da obra, outro ponto de entrave para a obra é a desapropriação de um imóvel que fica no caminho do novo traçado que a ponte deve fazer.

A nova ponte, em concreto, estava prevista para ser iniciada em meados de 2024. Isso não ocorreu porque o projeto teve que ser remodelado, conforme Castro, porque a melhor solução técnica para a ponte exigia essa alteração no traçado, o que demandava, por sua vez, uma desapropriação não prevista inicialmente.

A reunião sobre a ponte Alfonso Altrak aconteceu a partir de sugestão do presidente do colegiado, o vereador Adilson Girardi (MDB).

Histórico

A existência de uma ponte naquele ponto da estrada Blumenau é bastante longa. E falamos de UMA ponte porque foram várias as existentes no local. Em um artigo da arquiteta Anne Elise Rosa Soto sobre o caso da alteração do modelo de tombamento da ponte, encontramos a informação de que a primeira ponte construída na área data de 1866. São 156 anos de história.
O desenho dessa primeira edição da ponte foi do engenheiro alemão August Heeren e contou com recursos da Sociedade Colonizadora de Hamburgo. Mas ela durou pouco tempo. Em 1871 houve uma grande enchente que destruiu completamente a ponte, levando a uma reconstrução em 1872, pelo arquiteto Albert Kroehne.
Em 1936, temos o registro da terceira versão da ponte, desta vez reconstruída com a técnica enxaimel pela Prefeitura Municipal. Anne anota no artigo que a reinauguração foi em 25 de novembro. “O encarregado das obras foi o mestre carpinteiro Bächtold e conforme consta no relatório da Prefeitura Municipal, foram gastos mais de cinco contos de réis, quantia bastante significativa na época, o que fez ser essa a maior obra pública daquele ano em Joinville”, escreveu a arquiteta.
A estrutura enxaimel, com os encaixes de madeiras sem a necessidade de pregos, foi a que perdurou mais tempo, levando a um pedido da comunidade local para um tombamento da construção, o que ocorreu em 2005.
No entanto, a ponte foi destruída ainda mais duas vezes: entre 2009 e 2010 por chuvas torrenciais e, depois, em 2015, quando um vendaval arrancou a cobertura que marcou a lembrança dos moradores.
Girardi pontuou na reunião que essa situação fez a comunidade rural se organizar, então, para pedir uma estrutura mais duradoura.
Em 2019 houve uma proposta de destombamento da ponte, o que não aconteceu. No entanto, a Comissão Municipal do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Natural (Comphaan) decidiu, em 2022, mudar a proteção da ponte. “De tombamento de bem imóvel para inventariação como paisagem e lugar de memória, em uma decisão inédita no município em função das especificidades da situação”, escreve Anne.

Nova ponte

Por esse motivo, a ponte vai contar com um totem com as informações históricas sobre a ponte, embora conte também com um local para contemplação na própria estrutura, além de estruturas arquitetônicas que vão rememorar a existência da cobertura no local.

Respondendo às dúvidas de um dos presentes sobre a capacidade da nova ponte, Castro afirmou que a nova estrutura não terá pilar no vão central como a ponte atual, e deverá ter pista dupla, com calçadas, aguentando até 45 toneladas.

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